🎬 A Substância – Estética, Etarismo e a Ditadura da Beleza

A Substância (2024): uma crítica ácida com cheiro de terror corporal

O filme “A Substância” (2024), estrelado por Demi Moore e Margaret Qualley, tem sido amplamente aclamado pela mídia — e não é à toa. Com um estilo que mescla terror corporal (body horror) e sátira social, a obra traz um viés crítico intenso, mirando na pressão social implacável por um padrão de beleza que aflige a maioria das mulheres e, cada vez mais, os homens.

O filme é fascinante porque abre diversas frentes de discussão. No entanto, o ponto central que merece destaque é a relação excessiva que muitas pessoas desenvolvem com a chamada ditadura da beleza, um fator intimamente ligado ao etarismo.

Etarismo: o ponto de partida da trama

O etarismo — o preconceito, estereótipo ou discriminação contra alguém com base na sua idade — é o que dá o start para a trama principal. Embora as pessoas idosas sejam as mais atingidas de forma geral, no filme, o foco recai sobre a dificuldade da protagonista em envelhecer.

A pressão social é imensa. Ficar “fisgado” na ideia de que ser jovem é a única forma de ser valorizado pode levar muitas pessoas a um estado de excessivo sofrimento mental. O filme, de forma brutal, deixa essa consequência muito clara.

A juventude eterna e a castração: o olhar da psicanálise

Para a psicanálise, não há como “tamponar” nossa falta. Neste caso específico, não há como segurar a ação do tempo, pois ele transcorre sem que tenhamos poder sobre ele. É a castração para Sigmund Freud e o Real para Jacques Lacan: aquilo que nos escapa e nos confronta com nossos limites.

É comum vermos a busca pela juventude eterna sair do controle, com alguns casos se tornando desastrosos. A demanda por um novo procedimento estético que promete milagres é imensa, alimentando um mercado que cresce exponencialmente.

A grande questão não é o cuidado com a aparência, mas o excesso. O excesso pode levar à perda da realidade, à depressão e à insatisfação constante.

A satisfação com o corpo que temos

É preciso fazer as pazes com a nossa imagem, com o espelho, e aprender a ter satisfação com o corpo que temos. Cuidar de si é fundamental, mas o ponto de virada é quando a busca por um ideal inatingível se torna uma fonte de dor.

O filme “A Substância” é um convite desconfortável, mas necessário, para repensarmos: até onde vai a nossa busca por aceitação e o que estamos dispostos a sacrificar em nome de um padrão que, no fundo, é apenas uma ilusão.